O MUNDO NÃO SE DIVIDE EM LADOS — SE DIVIDE EM GENTE
Entre quem aceita, quem pensa e quem reclama, a maioria só faz barulho e fede.
Entre quem aceita, quem pensa e quem reclama, a maioria só faz barulho e fede.
Em meio ao caos de rótulos políticos, religiosos e morais, surge uma classificação mais suja e mais honesta: pessoas que aceitam, pessoas que pensam e pessoas que reclamam. E o conflito real não está nos extremos — está no esgoto do meio.
Todo dia surge um novo carimbo pra colar na testa alheia: direita, esquerda, anarquista, cristão, ateu, pró-isso, contra-aquilo. A informação explode, os rótulos se multiplicam e o indivíduo vira um fichário ambulante tentando se encaixar em gavetas que nunca foram feitas pra ele.
Mas no fundo, a maioria das pessoas não vive por ideologia. Vive por postura diante da vida. E aí o mundo se revela mais simples — e mais nojento.
Existem os que aceitam. Engolem o que vem, baixam a cabeça, chamam conformismo de maturidade. Não pensam muito porque pensar dá trabalho e cobra responsabilidade. Aceitar é uma forma elegante de lavar as mãos por dentro.
Existem os que reclamam. Esses são incansáveis. Chegam no ambiente e o ar tá errado, a cadeira tá torta, a pessoa do lado respira alto demais. Não constroem nada, mas têm opinião sobre tudo. Não propõem, mas sabotam. Reclamar é o jeito covarde de parecer crítico sem nunca se comprometer.
E existem os que pensam. Esses são poucos e geralmente confundidos com os reclamões. Pensar exige autocrítica, exige admitir que o próprio pensamento pode estar errado, apodrecido, malformado. Pensar dói. Pensar isola. Pensar não dá aplauso.
O problema é que tanto quem aceita quanto quem reclama acha que pensa. Mas o pensamento deles não serve pra se questionar — serve só pra justificar a própria inércia ou o próprio veneno. É raciocínio de defesa, não de investigação.
Como diria Friedrich Nietzsche, a maioria não quer a verdade: quer conforto. Quer uma narrativa que sustente sua fraqueza sem obrigá-la a mudar. E quando isso não acontece, reclama. Quando acontece, aceita. Pensar mesmo? Poucos encaram.
Ambientes infestados de reclamadores são terrenos baldios. Nada cresce. Tudo apodrece. A crítica vira ruído, o debate vira desgaste, e quem pensa de verdade acaba parecendo “difícil”, “negativo” ou “problemático”.
QUEM GANHA
- Sistemas que preferem silêncio ou barulho, nunca pensamento
- Gente que terceiriza a própria responsabilidade
- Mediocridade organizada
QUEM PERDE
- Quem tenta debater de verdade
- Ambientes que poderiam evoluir
- Qualquer ideia que precise de profundidade
Aceitar é morrer em pé. Reclamar é feder sentado. Pensar é sangrar acordado — e quase ninguém aguenta o cheiro do próprio sangue.