VOCÊ FUMA REALIDADE ACHANDO QUE É VERDADE
A flor virou fruto, o baseado queimou — e você ainda jura que entendeu tudo.
Um filósofo comparou a vida a uma planta que se destrói em fases. Outro bêbado resumiria melhor: todo mundo olha o baseado, quase ninguém pergunta qual lado está queimando.
O botão some quando a flor aparece. A flor vira lixo quando nasce o fruto. Até aí, beleza. O problema começa quando o sujeito olha pra própria vida e diz:
— “Isso é a realidade.”
Não. Isso é só o lado do baseado que você escolheu fumar.
A realidade é a fumaça. A verdade é o que sobra quando ela dissipa. E quase ninguém aguenta esperar o ar limpar.
O botão achava que era tudo. A flor tinha certeza absoluta. O fruto olha pra trás e sente vergonha. Essa é a dialética que ninguém posta no Instagram.
A flor defendia ideias. O fruto paga boletos.
A flor gritava verdades. O fruto percebe que só estava chapado de convicção.
E aqui entra o baseado: todo baseado tem dois lados, mas o ser humano insiste em acender só a piteira. Quer prazer sem combustão. Quer certeza sem queimar a mão. Quer opinião sem consequência.
Realidade é aquilo que você vive enquanto está dentro do processo.
Verdade é o que sobra quando o processo te desmente.
A flor acha que é verdade porque está viva. O fruto entende que a flor só era um erro funcional. E o botão? Nem lembram mais.
Na prática cotidiana isso é brutal:
- Você chama de “minha opinião” aquilo que é só conforto momentâneo.
- Chama de “minha essência” aquilo que é medo de mudar.
- Chama de “coerência” o pavor de admitir que já fumou coisa errada.
E quando alguém vira o baseado e pergunta:
— “E o outro lado?”
Você responde com riso nervoso, ironia ou ataque pessoal.
Porque verdade não dá barato. Verdade dá náusea.
QUEM GANHA
- Quem vira o baseado antes de acabar
- Quem aceita que já confundiu fumaça com verdade
- Quem deixa a flor morrer sem drama
QUEM PERDE
- Quem vive chapado de certeza
- Quem chama sensação de realidade
- Quem acendeu a piteira e acha que é filósofo
A vida não quer saber se você está confortável.
Ela queima um lado, depois o outro — e no fim, só fica cinza.