CLONE NA AVENIDA E PALHAÇO NO CARRO?
Lula apareceu no desfile, sorriu, acenou, sambou no ritmo da bateria. Ao mesmo tempo, grupos extremistas repetem que ele já teria morrido e sido substituído por um clone.
Se é tudo sósia, quem deve ao TSE: o original ou o figurante?
Lula apareceu no desfile, sorriu, acenou, sambou no ritmo da bateria. Ao mesmo tempo, grupos extremistas repetem que ele já teria morrido e sido substituído por um clone.
A contradição explode no asfalto: se não é o Lula “de verdade”, como exigem punição política contra ele? O Tribunal Superior Eleitoral julgaria o quê — o homem, o clone ou o mito digital?
De um lado, a tese da substituição. De outro, a cobrança por responsabilização real. As duas versões circulam nas mesmas redes, às vezes nas mesmas páginas, às vezes na mesma postagem.
E a confusão não para aí. Quando um homem vestido de palhaço “Bozo” dançou em cima de um carro, muitos associaram a figura ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Outros disseram: “não era ele, era um personagem”.
Se é personagem, vale como ato político? Se é sósia, responde como original? A régua muda conforme o alvo?
No caso do desfile, há registros oficiais, imprensa credenciada, transmissão ao vivo. No caso do “Bozo”, há vídeos, fantasias e interpretações. Em ambos, a disputa não é só sobre o fato — é sobre a narrativa.
No fim das contas, ou as pessoas são responsáveis pelo que fazem… ou qualquer um pode alegar que era figurante, clone, holograma ou fantasia de carnaval.
A bateria pode até marcar o compasso, mas a lógica anda fora do ritmo.
Quando a política vira teatro, todo mundo quer o aplauso — mas ninguém quer assumir o papel.
QUEM GANHA
- As bolhas digitais que vivem de contradição
- Quem transforma política em espetáculo permanente
- Plataformas que lucram com conflito e engajamento
QUEM PERDE
- A coerência do debate público
- O eleitor que tenta entender o que é fato
- A própria responsabilidade individual, diluída em fantasia