BIZARRICE TOMA A PAULISTA E NINGUÉM FAZ NADA

São Paulo acorda todos os dias com mofo no café, calor no asfalto e loucura institucionalizada — e chama isso de rotina.

Nada é coincidência quando tudo apodrece ao mesmo tempo.

São Paulo não enlouqueceu por acaso. Algo está sendo testado, repetido e empurrado goela abaixo — e a Paulista é o laboratório.

O café com fungo não é descuido. É treinamento. Primeiro você engole o mofo, depois engole o resto. A cidade começa pelo estômago porque cérebro vazio aceita qualquer coisa.

Trabalhar com figuras chamadas Bicudo e Elias, the crazy não é folclore corporativo. É padronização do absurdo. Quando o estranho vira rotina, o sistema vence sem precisar explicar nada.

O cachorro dentro da imobiliária não estava fugindo do calor. Estava buscando abrigo onde ainda existe ar condicionado. Animal sente antes. Sempre sentiu. Gente é que demora pra admitir.

Os dois PMs japoneses não são lenda. São sinal. Intercâmbio? Experimento? Ensaio geral? Ninguém explica porque explicar gera perguntas — e pergunta atrapalha.

O Papai Noel chinês suando em plena segunda-feira não é multiculturalismo inocente. É sobrecarga simbólica. Mistura tudo, confunde tudo, até ninguém mais saber o que é real, tradição ou piada de mau gosto.

E o banheiro… ah, o banheiro. Aquilo não é digestão ruim. É o corpo reagindo à cidade. Quem mora aqui está sendo lentamente envenenado — física, moral e mentalmente.

Bob Marley dormindo no chão do Conjunto Nacional não é coincidência estética. É a imagem perfeita do sistema: até a paz precisa cair dura no concreto pra ser ignorada.

QUEM GANHA:

  • O caos, que não precisa se explicar
  • Quem testa limites sociais
  • A normalização da bizarrice

QUEM PERDE:

  • Quem ainda estranha
  • Quem faz perguntas
  • Quem acredita que “é só impressão”
Nada disso é bizarro. Bizarro é achar que tudo isso acontece sem motivo.

Reportagem de Migueh