2025: O ANO EM QUE O MUNDO VIROU LABUBU
Guerras, burnout, dancinha idiota e boneco fofo: 2025 acabou em pelúcia e fezes emocionais.
2025 entrou para a história como o ano em que a humanidade terceirizou o cérebro, terceirizou a culpa e, no final, terceirizou até a vergonha. Enquanto a realidade desmoronava, alguém apertou “gerar imagem”, colocou um sorriso fofo no desastre e seguiu rolando a tela.
A explosão das inteligências artificiais foi tratada como milagre, mas funcionou mais como laxante social. Texto, imagem, vídeo, música, tudo gerado em escala industrial — inclusive mentira, golpe, deepfake e confusão. Ninguém mais sabia o que era real, mas todo mundo fingia produtividade. O trabalho virou prompt. O pensamento virou autocomplete.
No meio desse caldo tóxico, Donald Trump reapareceu com força total no noticiário mundial, ressuscitando fantasmas, discursos raivosos e a velha política do caos performático. Do outro lado do hemisfério, Jair Bolsonaro seguiu orbitando crises, investigações, discursos dúbios e uma legião de fiéis que tratam realidade como opinião opcional.
Enquanto líderes berravam, quem pagava a conta era o de sempre. O golpe bilionário no INSS expôs um esquema nojento: aposentados e pensionistas sendo roubados em silêncio, com descontos indevidos, fraudes digitais e um sistema lento demais para proteger quem já não tem tempo. Tecnologia de ponta pra enganar velho. Eficiência total pra ferrar pobre.
Na saúde, 2025 foi o ano em que o corpo humano pediu arrego. Ansiedade virou epidemia. Burnout virou normal. Remédio virou item de mercado. Todo mundo cansado, irritado e com a sensação de que algo estava muito errado — mas sem energia nem foco pra reagir. A mente colapsava enquanto o feed entregava dancinha.
E foi aí que Labubu e seus primos estéticos dominaram tudo. Boneco fofo, olhar vazio, sorriso deslocado. A cara perfeita de uma sociedade infantilizada tentando não olhar direto para o desastre. Quanto mais o mundo piorava, mais “cute” tudo ficava. Era a anestesia emocional perfeita.
A cultura virou um looping de escândalo, remake e viral inútil. Nada durava. Nada aprofundava. Tudo era urgente por 12 horas e irrelevante no dia seguinte. A tragédia perdeu impacto. O absurdo virou rotina. O grotesco virou produto.
2025 não foi um ano de ruptura.
Foi um ano de aceitação passiva do caos, com filtro pastel e trilha animada.
2025 provou que o fim do mundo não chega com sirene — chega com emoji sorridente e link de afiliado.
QUEM GANHA
- Big Techs e plataformas de IA, lucrando com confusão cognitiva em escala
- Golpistas digitais, agora com ferramentas automáticas e vítimas distraídas
- Políticos do caos, que prosperam onde ninguém mais entende nada
QUEM PERDE
- Aposentados e trabalhadores, roubados enquanto o país discute meme
- A sanidade coletiva, diluída em scroll infinito
- A noção de verdade, enterrada sob prompt, filtro e fé cega